domingo, 3 de agosto de 2008

Vende-se sauna, piscina, sala de jogos.... de brinde um apartamento genérico


Na busca de um apartamento para minha irmã, me deparei com o “boom” imobiliário que estamos vivendo no Brasil, (não que isto fosse alguma novidade para mim, e de longe uma reclamação), mas o que me surpreende é a publicidade que incorporadoras têm feito para os seus novos empreendimentos.
Eu ia até fotografar alguns exemplos para colocar aqui, mas achei que não precisava... basta abrir o jornal para encontrá-los... anúncios enormes, páginas inteiras totalmente coloridas... onde geralmente em um canto encontramos um mapinha mostrando a localização do empreendimento e depois algumas imagens de pessoas sorrindo, algumas vistas genéricas das maquetes eletrônicas das áreas de uso comum - piscina, fitness, espaço gourmet, garage band, sala do video game, sala sado-mazô- e algumas linhas informando área, número de dormitório e condições de pagamento....Cadê planta baixa do apartamento???.... Onde estão as perspectivas externas??? parece que isso pouco importa, o espaço onde a pessoa vai viver é o de menos... basta ter piscina, sauna, quiosques...O trabalho do arquiteto em projetar um bom espaço, bem resolvido, com boa insolação, bons fluxos, sem perda de espaço.... isso tudo é inútil e mais inútil ainda são as fachadas.... parece ser tudo igual mesmo.....A pouca valorização do projeto arquitetônico já era sabida (o corretor que vende o apartamento ganha o dobro do arquiteto, no mínimo), que brasileiro não sabe comprar apartamento.... isso também já era sabido....acho que a diferença é que isso ainda não tinha estampado as páginas dos jornais.


Planta baixa do Residencial Amazonas.

Projeto arquitetônico de minha autoria e execução da Atual Arquitetura e Engenharia

Umuarama - PR

Arquitetos e Engenheiros: Precisamos nos amar!


Há uma briga defendida, ora por arquitetos, ora por engenheiros, ora pos ambos, acerca das suas respectivas funções. Arquitetos defendem as qualidades estéticas, plásticas e conceituais das edificações; engenheiros vêem as mesmas obras segundo a ótica da técnica... Alguns nunca chegam a um consenso do que é mais importante: se o rigor da técnica ou a beleza formal e conceitual dos edifícios.
Separando valores de profissionais e profissionais, não podemos deixar de compreender que uma boa arquitetura não está dissociada da técnica e que para que o primor da técnica possa ser executado o conceito projetual de arquitetura deve exprimi-lo e detalha-lo da forma mais abrangente possível.
Uma boa obra só é possível se casarmos a poesia do projeto de arquitetura com o domínio as técnica. Sendo assim, faz-se necessário que estruturalistas, projetistas de instalações e demais técnicos não subestimem a necessidade de um excelente projeto arquitetônico; e que os arquitetos não desprezem a importância de conhecer, dominar e respeitar os parâmetros técnicos. Afinal, que grande, bela e excelente obra de arquitetura foi erigida sem a excussão minuciosa de uma estrutura? Ou que excelente estrutura pode erguer-se sem uma arquitetura para acolhê-la?

Vejamos os exemplos que a história nos oferece como as catedrais góticas, que possuem toda uma linguagem plástica estética e funcional, que denotam os interesses e objetivos de uma geração em seu tempo. Analisemos os grandes vãos, as envasaduras, a técnica de excussão (um segredo bem guardado até os nossos dias), como as soluções técnicas respondem ao programa desejado. E esse é só um dos muitos exemplos na história.
Atualmente a coisa não é muito diferente. Vejamos arquitetos como Calatrava – que possuí as formações de arquiteto e engenheiro – Foster, Piano e os grandes arquitetos do momento. Que, se não tivessem conhecimento e domínio das tecnologias construtivas e dos materiais não conseguiriam alcançar as soluções arquitetônicas e os grandes resultados estéticos que nossa geração tem visto. As obras desses profissionais necessitaram – afirmo sem qualquer dúvida – de técnicos calculistas, instaladores, construtores e até operários que puderam dar vida a obras excelentes.
Arquitetos precisam se não amar ao menos respeitar engenheiros e engenheiros precisam de não amar ao menos respeitar arquitetos. Mas bom é que nos amemos. Que os arquitetos amem as estruturas, as instalações, os materiais, as técnicas construtivas... São elas que tornam a arquitetura realidade! Que os engenheiros amem a espacialidade, a plástica e a formas... São elas que exigem o rigor da técnica, para que possam ser bem executadas! Afirmo sem medo de retaliações: precisamos nos amar!
É muito gratificante para um engenheiro trabalhar com um arquiteto que conhece, domina e discute sobre instalações, estruturas, construções e outras soluções técnicas que a arquitetura necessita para existir. Como é gratificante para um arquiteto um engenheiro que respeita e possibilita a execução de suas idéias!
Precisamos deixar de orgulhos e “estrelismos”, tanto arquitetos como engenheiros, passarmos a nos respeitar e entendermos que arquitetura e engenharia são têm o mesmo objetivo: realizar sonhos e atender necessidades!

sábado, 14 de junho de 2008

Arquitetura Curitibana - Paulista

"Admiro os poetas. O que eles dizem com duas palavras a gente tem que exprimir com milhares de tijolos." Vilanova Artigas


Casa João Luiz Bettega

Foto de minha amiga e também arquiteta Melissa Ravazzi, tirada em um curso de Iluminação que fomos fazer em Curitiba e descobrimos essa casa tão importante para a arquitetura brasileira e esquecida as vezes por uma cidade tão orgulhosa de sua cultura.
Construída em 1953, na Rua da Paz, a casa que o arquiteto João Batista Vilanova Artigas projetou para o Dr. João Luiz Bettega polemizou e gerou críticas na população. Retangular, com uma solução estrutural de pilares ritmados moduladamente, e entrada lateral, quase no meio do lote, a casa, em dois pavimentos, tem espaços integrados por pés-direitos duplos e interligados por rampas (o que no futuro se transforma em marca pessoal do arquiteto). Nela, todos os ambientes são voltados para a face noroeste, a que mais luz solar recebe em Curitiba.

Casa Vilanova Artigas, representa grande expressão para a arquitetura brasileira, hoje tombada pelo município e pelo governo do estado do Paraná.
A casa, situada no centro de Curitiba, é um dos raros exemplares deste arquiteto que executou aproximadamente 700 obras principalmente em São Paulo. (Artigas é considerado o arquiteto mais premiado do Brasil pela UIA - União Internacional de Arquitetos).
Diante da importância da obra, ela foi adquirida em 2003 com o intuito de transformá-la em um centro cultural tendo seus estudos dedicados à arquitetura.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

BONS CLIENTES + BONS ARQUITETOS = BOA ARQUITETURA


Entre os temas que atrapalham a relação arquiteto/cliente um dos mais importantes é a falta de entendimento do que seja um projeto.
É muito comum que alguém se refira ao projeto –ou projetos, no plural, como se verá— como “a planta”. Sendo assim, não é de estranhar que o projeto não seja visto como uma das duas partes mais importantes de um processo de construção e, que por consequência, encontre dificuldades em ser remunerado condignamente.
Que os clientes saibam exatamente do que consiste um projeto me parece importante não apenas para que o nosso trabalho possa ser melhor entendido e valorizado, mas também para que possam exigir dos profissionais que contratam aquilo a que têm direito.
A rigor, um projeto é um conjunto de documentos que serve para orientar a construção de um edifício, espaço aberto ou objeto. O sucesso ou fracasso de qualquer uma dessas empreitadas depende do grau de aprofundamento e detalhamento do projeto.

domingo, 8 de junho de 2008

Circuito do Ouro

De nada adianta todo o ouro do mundo se não é possível ostentá-lo.






Organizando minhas fotos, morri de saudades de uma viagem que fiz a Minas Gerais. Sou apaixonada por comida e arquitetura, sendo assim, as cidades históricas de Minas são um prato cheio...
Com muito ouro, talento humano e fé religiosa, Ouro Preto se firmou como o principal centro da arte colonial brasileira. Suas vielas tortuosas, ladeiras e escadarias, todas situadas na mais alta montanha de Minas Gerais, revelam um acervo de preciosidades ao ar livre. Encravada em um conjunto serrano de mais de 1.000 metros de altitude e a cerca de 100 km de Belo Horizonte, Ouro Preto é uma das cidades históricas mais importantes do Brasil. Suas construções, casarios e igrejas, dispostas nas estreitas ladeiras de pedra, são exemplares da arte barroca, que dominou o Período Colonial do Brasil. Estilo rico em detalhes e carregado de ornamentos, sua arte e arquitetura podem ser visualisadas no interior de suas igrejas. Espalhadas por suas montanhas, elas apresentam fachadas simples. Mas são repletas de pinturas, obras de arte e ouro talhados no seus altares e paredes internas. As vistosas residências coloniais também denunciam uma cidade antiga e rica.
É um passeio apaixonante, adorei!

sábado, 7 de junho de 2008

Solidariedade!!

Casa de Apoio Vita Vitória


Hoje fiquei felicíssima em abrir meu blog e receber um recadinho de uma amiga que adoro demais e sinto muita saudade. Quando a Ligia me chama de mulher humana, me faz refletir... adoro ajudar as pessoas, me preocupo com o próximo, e tento fazer a minha parte nesse mundo onde as pessoas estão mais preocupadas com o próprio umbigo. Ajudar faz eu me sentir bem mas sei que posso fazer mais!! Você também pode... então nesse clima de solidariedade e de amor ao próximo, venho aqui dar uma choaqualhada em pról de uma causa muito nobre, estou falando da Casa de Apoio Vita Vitória.


É um projeto muito bonito que vai tentar amenizar a dor de doentes e familiares que sofrem com o câncer! Ajude!! Faça sua parte, faça uma doação, participe dos eventos, seja um voluntário!


Faço parte dessa Organização sem fins lucrativos e o Projeto Arquitetônico também é de minha autoria. Precisamos arrecadar mais fundos para conseguir finalizar a obra e tornar esse sonho realidade!

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Fazer Bonito


Mais uma obra começando... é sempre assim, como se fosse um filho, e pra mim é mesmo!
Ultimamente tem sido necessário pedir para fazer bonito. Quando se fala em crise, não se percebe que há uma crise estética séria. Talvez ela pareça menos importante que outras crises — fala-se em corrupção, saúde, segurança. Talvez ela realmente seja menos importante, mas dúvidas me surgem quando circulo por cidades tão diferentes como Umuarama e São Paulo. É tudo absurdamente feio — das panças à mostra aos camelôs nas calçadas, dos sanduíches sebentos às casas fortemente muradas.
A resposta é “faça bonito”, coloque a beleza no topo de sua lista de prioridades. Tome a beleza como princípio e fim — ao projetar, ao trabalhar, ao ensinar, ao viver. Onde a beleza não existe, que ela seja criada. Onde ela existe, que ela seja mantida. Simples assim!