
Ser bipolar tira um pouco da inspiração. Por isso, acabo me baseando em outras coisas para escrever. Principalmente porque eu nunca sei se o que eu estou sentindo é de verdade ou não. Dá um pouco de aflição, eu confesso. Fico parecendo mulher grávida, com desejo de algumas coisas e repulsa de outras. Fico com vontade de ver algumas pessoas e depois passa. Dá vontade de comer um prato cheio de macarrão 10 vezes por dia.
Mas o mais difícil é saber se isso tudo é de verdade ou não. Me parece que vou encontrar o agente Smith a qualquer momento para me expulsar de onde eu estou. Fico imaginando o que me é de direito e o que não é. E poxa, será que eu tenho algum direito sobre alguma coisa?
E daí o médico me mandou ficar apática. Mas nada fica colorido. Eu não gosto dessa ausência de cores. Um amigo com hiperatividade mental disse que é normal e que eu preciso mesmo é insistir no tratamento e arrumar muito sexo nessa vida. Posso concordar só com a segunda parte, Fê?
Viver é uma doidera sem tamanho. Quem foi que disse que devia ser fácil? Porque não me avisaram que era toda essa trip maluca, cheia de montanhas russas, uma pior que a outra? Ninguém avisa, né?
Não custava nada ter deixado um aviso na portinha do óvulo da minha mãe pro espermatozoide do meu pai ler assim: "Atenção: viver é uma insanidade".
De qualquer forma, respiro fundo todos os dias, até quase os meus pulmões estourarem antes de dormir, para perceber que há ar entrando neles e bombando meu sangue de oxigênio. Para não ter aquela sensação de que o teto está baixando para me esmagar, como naquele filme do Indiana Jones. Penso em céus de baunilha para me acalmar e finalmente me lembro: O que é felicidade para mim mesmo?
O espermatozóide do meu pai deve ter tido uma grande vantagem com relação aos demais para ler as linhas de rodapé da plaquinha que dizia: "Viver é para poucos. E é uma grande loteria, a maior roleta russa já vista".
Ou não.