terça-feira, 15 de abril de 2008

A Magia de Uma Profissão!


Todos temos na vida momentos mágicos: uns mais, outros menos, mas se estatísticas valem alguma coisa, quanto mais movimentada, agitada e variada a sua vida, mais momentos mágicos você terá, se é que você os deseja e não leva o dia a dia de uma maneira conformista. Esta frase é para auto-ajudar os leitores. O que marca a arquitetura é que tanto pode representar um momento mágico quanto ser maravilhosa o tempo todo.
Momento mágico: entrar na baia de Sydney e ver a Opera House. Magia eterna: caminhar pela Alhambra de Granada e maravilhar-se a cada passo e a cada visita, ainda que a impressão externa inicial não seja tão impactante. Magia do dia a dia: exercer com prazer e com amor a profissão de arquiteto. Na verdade isso deveria valer para qualquer atividade, mas, falando sinceramente, qual é a graça de ser bancário? Já banqueiro é outra coisa. Em princípio, a diferença está em ganhar uma fortuna, mas existe um ponto oculto, que é o risco de dar uma tacada errada, ou a satisfação da aquisição de um concorrente, etc.

Quando pergunto no escritório qual é a nossa finalidade e respondem que é fazer arquitetura, discordo totalmente. A nossa finalidade é ganhar a vida honestamente. A segunda também não é arquitetura: é prestar um bom serviço. A terceira (está esquentando), é coordenar e administrar tecnicamente um projeto de arquitetura e engenharia. O meu número mágico matematicamente é o 4, e esse é, sim, arquitetar, fazer um bom, se possível um excelente projeto. Não é necessário ser genial: a sociedade não precisa de milhares de gênios, precisa de bons arquitetos participantes do desenvolvimento do País.

É como já li em uma entrevista de Anthony Hopkins, feita em uma das suas viagens para um filme. Ele dizia não entender por que "nos pagam uma fortuna para fazer um trabalho que eu faria de graça, ou até pagaria para fazer"! Mas nós amamos a nossa profissão mais do que Anthony Hopkins ama o cinema, porque pensamos, discutimos, miramos, sonhamos e vivemos arquitetura mesmo ganhando uma merreca e sendo vergonhosamente explorados. É como casar contra a vontade dos pais. Justificativa: mas eu gosto dela!
Outros profissionais como médicos, advogados ou decoradores ao atingirem status profissional equivalente ao de arquitetos reconhecidos ganham muitíssimo mais. Mas o que faz a diferença nos que amam a profissão é o seu empenho em fazer o melhor do melhor.

há inúmeras outras alegrias na arquitetura. A satisfação de ver um edifício construído (e não relatórios ou papel pintado) me traz à mente o contentamento de um obstetra pela alegria que proporcionou aos pais da criança.
Aos que com demagogia e sem sinceridade citam "o papel social do arquiteto", aí está um papel mais do que social: um papel efetivo, concreto, construído. Ao citar a construção, sublinho que nada seríamos sem os excelentes engenheiros que conosco colaboram nos projetos e que planejam e executam obras extraordinariamente complexas como túneis, pontes, barragens e edifícios.

Não podemos mudar o mundo com arquitetura, como pretendiam Corbusier e Gropius. Mas podemos mudar a arquitetura.

Um comentário:

Lôrá disse...

acho que quero mudar de profissão
heheheheeheh
beijos amiga